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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Poucas palavras

Como é distante essa agonia
Mas quanto eco faz perto de mim
Olho as sombras do meu lado
Quão vazias e penumbrosas são.
O que há é distante, mas por dentro
E tão perto que o sinto.
Tento compreender
Mas me dou muito pior
E e me desmancho.
Tento sorver, nada encontro
Outra vez, ouço de longe a sinfonia
De perder-se volátil no vento
De pertencer ao breve
No instante do momento







terça-feira, 20 de outubro de 2015

Tragédia Pt 1

Poetizações drásticas
De uma mente ofuscante
Meu lamento tornou-se pó
Diante das grandezas, miudeza
Sou diamante “auto-lapidado”
Pérola aos porcos
E junto as minhas pedras irmãs
Como imãs a colar em meu ócio perigoso
Atraio jogos de covardia e coragem
E do alto do precipício
Como é longa a vista
De todos os rostos sobressaltados
Enterrados num mundo “retangulado”
Embrulhados numa carapuça mal vestida
Que nojo
Que asco!
Aqui é penhasco!
E como é triste a sina do saber e compreender
Pior que sorver toda agonia
Preso às correntes
Reforçadas por um mar de sorrisos contentes
“Você será alguém”
Eu ouço com receio
A vida é um freio
E eu a inércia.

sábado, 5 de setembro de 2015

Maior que tudo

Emaranhado de coisas
Coisas e mais coisas
Tudo pelo chão
Quem dera a alma sorvesse
Quem dera morresse
Talvez os olhos se voltassem
E as mãos aplaudissem
Talvez fosse um belo funeral
E muitos viriam dizer
Mentiras e mais mentiras
E todas aquelas sandices
Ah! Quem dera a terra
Absorvesse tudo, mas...
Nem a terra me pode
Nem me cabe
Nem me comporta
 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Mortilenta

O quarto está sujo
Bagunçado como minha vida
A maçaneta há dias coberta
Encobre a saída
Não quero ver
As cortinas cerradas
Não entra sol
Só agonia
As hélices empoeiradas
Já nem querem mais correr
Os cobertores emaranhados
Você precisa de mim...
Eu sei...
E você diz "i want you"
Mas eu nunca ouço nada
Nas paredes crescem o bolor
A vertigem
E essa ironia ezul-céu
Como se eu quizesse imitá-lo
Pra pensar voar de vez enquando
Nem rola!
Os retratos estão parados
Talvez lamentando sem parar
O violão está parado
Tudo...
Exatamente tudo está...
Irritantemente parado
E nem as botas firmes estão de pé
Eu deveria rir
Tamanho o sarcasmo deste quarto
É todo um espelho
Reflexo do meu interior


- Flávio Santos

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Pequenos infinitos

"Nossa vida é feita de pequenos infinitos que
aos dias vão se acabando enquanto muitos outros nascem sem a gente perceber"
-Flávio Santos

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Vida Liquida

Acorde um novo dia
E veja as manchas do dia que foi
Entre novos perfumes e medos
Entre novos rostos e amores
Os dias vão entre seus dedos
E seus olhos já não conseguem alcançar
Somos todos nós voláteis
Cruéis amadores
A vida é aleatória
A incerteza é linear
Compre um novo produto
Acerte o emprego do ano
O carro do ano
O mundo é todo seu
O dia de ontem passou como um flash
E e você nem pôde ver
O amor era pluma
E o vento leve soprou
Sim! você estava aqui
Mas a sua infinidade se secou
Pessoas são fúteis
Tudo é fútil e esvai com o tempo
O mundo é todo liquido
Quem sabe um outro dia
Amahã talvez... Talvez!
Todos nós somos gelo ao sol
Esperando a noite fria
Pra sofrer em si e se matar por dentro
Pra morrer a cada sono
E viver os sonhos em si, adormecidos
A saudade se renova a cada dia
Do tempo que havia mais juventude
E tudo parecia feito de concreto
E as flores eram lindas
Hoje elas são objetos de comércio
Acorde mais uma vez
As manhãs tem menos horas
A tarde já nem aparece
A noite perdeu-se no dia
E o tudo escorre... Tudo corre
E com o tempo, tudo esconde
Tudo morre

(Após ler Zygmunt Bauman)

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Menina dos sonhos

Era linda...
Absurdamente linda, aquela menina
Seus olhos castanhos cor de mel
Faziam par romântico com a luz do sol
Seus cabelos escuros ondulados
Grandes como as cordas do tear
Negros feito a escuridão do céu à noite
Era lindo também seu corpo
De uma estranha perfeição
Perfeitas e suaves curvas
Escupidas com a leveza da natureza
Até me lembro quando pude sentir
Seu toque feito pluma
Seu beijo feito cinema
Seu olhar feito brasa
E quem dera todos os dias vivêssemos
E sentisse eu teu sopro, teu fôlego...
E por vezes fosse eu, o culpado por perdê-lo
Não fosse tu a menina dos sonhos
E só existisse sua psiché dentro de mim
Não precisaria mais adormecer
Mas só te vejo de olhos fechados
Completamente entorpecido
Voluntariamente extasiado
Menina dos sonhos...
Um dia te encontro, pra sonhar acordado. 


Flávio Santos