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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Mortilenta

O quarto está sujo
Bagunçado como minha vida
A maçaneta há dias coberta
Encobre a saída
Não quero ver
As cortinas cerradas
Não entra sol
Só agonia
As hélices empoeiradas
Já nem querem mais correr
Os cobertores emaranhados
Você precisa de mim...
Eu sei...
E você diz "i want you"
Mas eu nunca ouço nada
Nas paredes crescem o bolor
A vertigem
E essa ironia ezul-céu
Como se eu quizesse imitá-lo
Pra pensar voar de vez enquando
Nem rola!
Os retratos estão parados
Talvez lamentando sem parar
O violão está parado
Tudo...
Exatamente tudo está...
Irritantemente parado
E nem as botas firmes estão de pé
Eu deveria rir
Tamanho o sarcasmo deste quarto
É todo um espelho
Reflexo do meu interior


- Flávio Santos

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Pequenos infinitos

"Nossa vida é feita de pequenos infinitos que
aos dias vão se acabando enquanto muitos outros nascem sem a gente perceber"
-Flávio Santos

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Vida Liquida

Acorde um novo dia
E veja as manchas do dia que foi
Entre novos perfumes e medos
Entre novos rostos e amores
Os dias vão entre seus dedos
E seus olhos já não conseguem alcançar
Somos todos nós voláteis
Cruéis amadores
A vida é aleatória
A incerteza é linear
Compre um novo produto
Acerte o emprego do ano
O carro do ano
O mundo é todo seu
O dia de ontem passou como um flash
E e você nem pôde ver
O amor era pluma
E o vento leve soprou
Sim! você estava aqui
Mas a sua infinidade se secou
Pessoas são fúteis
Tudo é fútil e esvai com o tempo
O mundo é todo liquido
Quem sabe um outro dia
Amahã talvez... Talvez!
Todos nós somos gelo ao sol
Esperando a noite fria
Pra sofrer em si e se matar por dentro
Pra morrer a cada sono
E viver os sonhos em si, adormecidos
A saudade se renova a cada dia
Do tempo que havia mais juventude
E tudo parecia feito de concreto
E as flores eram lindas
Hoje elas são objetos de comércio
Acorde mais uma vez
As manhãs tem menos horas
A tarde já nem aparece
A noite perdeu-se no dia
E o tudo escorre... Tudo corre
E com o tempo, tudo esconde
Tudo morre

(Após ler Zygmunt Bauman)